Desde 2006 nossa equipe viaja pelo Brasil
descobrindo e revelando todas as histórias que aparecem por aqui. Num país
extenso como o nosso, nos deparamos com diversas culturas, costumes e, nessa
caminhada, nos desacostumamos a ficar em São Paulo, nosso estado, nossa cidade.
É justamente aí que está o desafio de realizarmos uma oficina aqui: perceber e vivenciar onde está o cuidar em nossa própria casa, nos hospitais dessa grande
metrópole. Assim nos dirigimos ao Hospital São Paulo, uma renomada instituição
que é campo de ensino e treinamento da Universidade Federal de São Paulo.
Desde o início fomos bem recebidos pelos
profissionais do HSP, que aos poucos foram compreendendo as oficinas de
fotografia e a proposta do projeto. Das muitas enfermarias e andares da
instituição, passaríamos uma semana na pediatria e também na clínica médica
masculina. Câmeras a postos, partimos para a nova semana de fotografias e
histórias.
Pediatria e clínica médica:
nosso ponto de encontro com novos amigos
Como já imaginávamos, uma enfermaria grande e
movimentada nos aguardava. Pessoas de diversas regiões da cidade e do estado
vêm em busca de tratamento ao HSP. Na pediatria encontramos muitas crianças
interessadas pela fotografia, que pegavam a câmera e não desgrudavam mais:
fotógrafos-mirins com os equipamentos no pescoço mobilizando médicos,
estudantes e enfermeiros para realizar suas fotos. Entre muitas histórias,
conhecemos João Silva, pai da paciente Mariana Silva, 12 anos. Um exemplo de
dedicação ímpar, João cuida de sua filha desde os 11 meses, quando iniciaram tratamento. Com a câmera nas mãos, João
montou um álbum da filha no decorrer da
semana. Registrou todas as pessoas que fazem parte da vida de Mariana:
enfermeiras, colegas de quarto, fisioterapeutas, residentes e médicos, sempre
dizendo que todos ali trabalham em harmonia, pelo bem de Mariana. Cada dia, um
passo a mais, uma vitória. Esse foi o objetivo de João, registrar as conquistas
diárias de sua filha e também revelar como ele, um pai, se sente inserido na
rotina hospitalar. No fim desta experiência, disse: "Descobri a capacidade de
transmitir como eu me sinto no dia-a-dia do hospital. E também poder criar
trabalhos agradáveis dentro do leito do hospital".
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Além da intensa participação dos pacientes e seus
acompanhantes, os profissionais que circulavam pela enfermaria também se
envolveram muito: os integrantes da equipe de enfermagem foram aos poucos se
contagiando e, entre registros de comemorações e companheiras de trabalho,
revelaram o carinho que têm por cada um dos pacientes e como isso alimenta o
trabalho e sua relação com todos. A participação dos estudantes também foi
relevante. Em meio à correria e ao grande fluxo de trabalho, eles também
aproveitaram para montar álbuns, murais de fotos e elaborar algumas cartas
ilustradas para seus pacientes.
O trabalho na clínica médica masculina também foi surpreendente. Pacientes,
acompanhantes e grande parte da equipe de profissionais que ali trabalha
revelaram seus olhares através das imagens produzidas. O ponto alto da semana
foi o Amigo Secreto Fotográfico, atividade proposta por nossa equipe em que
todos os envolvidos na enfermaria sortearam, em segredo, um amigo. O presente
deveria ser uma fotografia produzida especialmente para esse amigo secreto.
Equipe de enfermagem, pacientes, acompanhantes, residentes e outros
profissionais se organizaram e, numa ensolarada tarde de quinta-feira, nos
reunimos para realizar a entrega das fotos. Foi um momento muito especial: numa
grande roda no corredor da enfermaria, fomos aos poucos revelando quem eram
nossos amigos e, por meio das fotografias, trocando sentimentos, impressões e
lembranças do período de internação. Conseguimos estabelecer, através das
fotografias, trocas riquíssimas entre todos. Um momento inesquecível!
Em cada foto, uma nova emoção
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Ao final de uma semana de oficinas de fotografia,
apresentamos uma palestra com os resultados produzidos naquele hospital. O
objetivo desta ação é divulgar as fotografias produzidas e, através delas,
revelar histórias, sentimentos e atitudes que já são desenvolvidos pelas
próprias instituições. Desta maneira, levamos a reflexão sobre o cuidar para um
número maior de pessoas. A apresentação dos resultados no Hospital São Paulo
foi especial. Contamos com a presença de diversos participantes das oficinas de
fotografia e também com a direção do hospital. Além disso, contamos com a
presença de diversos parceiros da Organização ImageMagica que puderam entrar em
contato com todo o material imagético produzido pelos novos fotógrafos.
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A emoção rolou solta! As histórias contadas e todo
sentimento que as próprias fotografias revelaram fizeram com que muitas pessoas
se emocionassem, entre elas o Dr. José Roberto Ferraro, diretor superintendente
do HSP. Entre tanta emoção, ele declarou que não imaginava que um projeto
envolvendo fotografia pudesse trazer tanto do cotidiano de um hospital. E foi
exatamente isso que as fotografias revelaram: como pequenos detalhes fazem a
toda a diferença no dia-a-dia dos hospitais de todo o Brasil, como uma nova luz
chega ao ambiente hospitalar por meio de profissionais iluminados que, segundo
as próprias palavras de Dr. Ferraro, "é um pouco diferente, precisa ser
diferente. Porque ele também tem seus problemas pessoais, que às vezes não são
de saúde, e ele se despoja disso e troca, do ponto de vista técnico, do ponto
de vista humano. Isso acontece aqui a cada minuto nas nossas unidades, seja na
lavanderia, seja no centro cirúrgico, seja fazendo um transplante cardíaco ou
simplesmente dando um comprimido".
Entre fotos e muita emoção, deixamos o Hospital São
Paulo com o coração cheio de carinho, boas lembranças e uma vontade grande de
voltar mais vezes. Afinal, estávamos em São Paulo e, mais do que nunca, em
casa.